Melhoria para o serviço público

Esse ano precisei tirar uma segunda via do documento de identidade, o famoso RG. Passei por um processo medonho que tem muito a melhorar!

O início – colhendo as digitais

Aqui em Minas Gerais existem as  Unidades de Atendimento Integrado (UAI) que fornecem alguns serviços públicos, como emissão do RG, CTPS, antecedentes criminais entre outros. A lista de serviços prestados varia entre as unidades, portanto é bom consultar este site antes de sair de casa. A segunda via do RG é procedimento agendado, se a agenda não estiver disponível não adianta sair de casa …eu saí e não adiantou.

Fiz o agendamento e fui ao UAI. Lá descobri que minhas digitais não estavam no sistema e precisavam ser atualizadas. “Legal! Vou conhecer o hardware do estado” pensou o inocente. As digitais foram colhidas com grafite e papel. A simpática senhora que colheu as digitais disse que elas seriam enviadas para Belo Horizonte, onde seriam digitalizadas e cadastradas no sistema. Eu deveria ligar depois de três semanas para confirmar se o cadastro havia sido realizado, se positivo, eu deveria fazer um novo agendamento e voltar como se nada tivesse acontecido.

O “volta depois” era algo que esperava, sério! Minha expectativa com o serviço público é muita baixa. Agora, a digital no papel para ser scaneada não! Não mesmo! Sério?! Algumas questões ficaram na minha cabeça depois de passar por isso:

  • Existe um arquivo, com certo grau de segurança, para armazenar as digitais?
  • Existe um serviço de coleta que roda todo estado para transportar esses papeis?
  • Quantas pessoas estão em BH digitalizando? São lotes diários?
  • Existe um arquivo físico (em BH) para guardar essas digitais?
  • O sistema de cadastro (BH) é diferente do sistema de cá (demais cidades)?
  • Quanto custa cada identidade emitida por esse processo?

Perguntei se existia algum motivo para as digitais serem colhidas daquela forma, ao invés de utilizar o equipamento eletrônico. A resposta foi que o analógico é mais seguro. Fiz algumas perguntas pro Google a esse respeito, mas não encontrei comparativos.

 

O retorno e a entrega

Retornei no novo dia agendado. O atendimento foi quase bom, mas não por culpa do atendente, do processo. Eu conferi os dados, assinei, vi a minha foto ser colada, e pensei que receberia ela ali mesmo. Claro que não! O “volta depois” do começo da conversa foi desperdiçado, esse aqui é o que vale, oras! Saí com um protocolo em mãos para retornar depois de cinco dias, e finalmente pegar a identidade.

O retorno foi tranquilo e tudo correu como esperado.

 

Liga pontos

Quando recebi o protocolo do RG, vi que estava escrito “Polícia Civil”.

Esse ano eu renovei a CNH, que também é um processo da Polícia Civil. A clínica onde fiz o exame médico, colheu as impressões digitais com equipamento eletrônico, e tirou a foto da CNH ali mesmo, sem mudar de cadeira, literalmente. Em uma única visita resolvi tudo. E a CNH chegou em minha casa depois de três dias úteis.

Dá pra melhorar o processo do RG, não dá?! Foram duas experiências totalmente diferentes, ambas tendo o mesmo órgão como responsável. Um processo tem muito a ensinar ao outro. E ambos podem ensinar muito a outros órgãos. Quando isso ocorre, o país todo ganha eficiência em escala.

Onde mais podemos melhorar?

Sucesso!

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O ciclo de vida da startup

Hoje escrevo para me disciplinar e criar o hábito. Logo, não acredite em tudo que está neste post, pesquise para confirmar. 🙂

 

Na semana anterior comentei que estava pesquisando sobre startups. Hoje vou escrever um pouco sobre como entendi que se dá o crescimento, e a ordem em que alguns eventos ocorrem. A base foi praticamente a postagem Como conseguir um investimento anjo para sua startup, recomendo a leitura.

A ideia

Antes da empresa você possui uma ideia, escrita ou não, do que pretende entregar como serviço ou produto. Neste ponto você não tem nada, e aí fica difícil de vender a ideia para um possível investidor, pois ele não te conhece e não confia em você. Você daria $100 para um desconhecido que batesse na sua porta dizendo que voltaria com $1.000 em alguns meses? Eu não!

Neste ponto você deve trabalhar a noite e nos finais de semana para desenvolver o seu negócio. Criar um MVP (Produto minimamente viável), apresentar, pedir a opinião, descobrir quanto, e se alguém paga pela sua proposta. Tem um nome gringo pra isso “bootstrapping”, é quanto você constrói seu negócio com recursos próprios. Acho que passar o chapéu na reunião de família também é bootstrapping.

 

O anjo

Quando você tiver algo para apresentar, apresente! Procure conhecer as pessoas que estão no mesmo mercado que você e apresente o que construiu, peça a opinião deles. Em seguida pergunte quem são os anjos (investidores individuais) que investem nesse mercado, vá até eles peça mentoria e investimento, o não você já tem. E se o não vier com justificativa você já ganhou algo: “Não porque seu serviço é para um nicho muito pequeno para a região, não dá retorno que justifique o investimento”. Olha que bacana, alguém com conhecimento de causa está apontando as limitações do mercado e do produto. Você já volta pensando no dever de casa.

Com o MVP em mãos, também pode ser a hora de procurar um incubadora. Ela pode lhe ajudar a desenvolver o produto e a chegar nos mentores e anjos.

 

O Venture Capital

Seu negócio já foi testado, adaptado, e o anjo injetou uma grana que lhe permitiu testar alguns canais de venda. Agora você já sabe o que fazer com um investimento acima de 500.000. Sabe mesmo? Se não sabe o que fazer com o dinheiro como vai convencer alguém a lhe dar?

Mostre para os investidores o porquê seu negócio vai crescer com esse novo investimento. Seu discurso já deve ser bom pois, você já conhece o mercado, teve bons mentores (boas referências), validou hipóteses, descartou o que não ajudava o negócio a crescer, e aprendeu muito. O risco de dar ruim é menor do que quando você só tinha a ideia.

É provável que algum mentor, ou o anjo seja conhecido pelos investidores do fundo de investimento. Isso pode influenciar a decisão.

Alguns fundos investem através das aceleradoras. Elas proporcionam educação, contatos, e troca de experiências…e outras coisas mais (além do investimento). Como diria Silvio Santos “vale mais que dinheiro”!

 

Qual o próximo passo?

O retorno aos investidores vai ocorrer quando eles realizarem os lucros, que se dará quando venderem a parte deles. O caminho natural seria fazer o IPO (Oferta pública de ações) abrindo o capital para demais investidores.

Nos últimos anos algumas empresas desistiram de abrir o capital, portanto não creio que seja “o caminho natural” aqui no nosso país. Me parece mais fácil ser adquirido por outra empresa, se for este seu objetivo os investidores podem lhe ajudar a preparar a empresa.

Outro caminho é você continuar seu trabalho de expansão, e quem sabe, até comprar outras empresas, se sua empresa virou gigante… o céu é o limite! Exceto para a Space X :p

 

Estou gostando muito desse assunto, devo continuar falando de startups nas próximas semanas.

Sucesso!

Startup

Nos últimos dias estive pesquisando sobre startups, e percebi que apesar de atuar no ramo de tecnologia não entedia muito bem esse termo, e os outros que normalmente estão relacionados. Um exemplo é que eu não entendia a diferença entre incubadora e aceleradora. Nesta postagem vou apresentar um pouco do que aprendi, ou acho que aprendi. É apenas o começo da jornada, tenho muito a aprender.

 

O que é startup?

É uma empresa que ainda está definindo o seu modelo de negócio, não existe algo pronto que possa ser copiado. Ela está criando algo novo, que pode ser baseado em um modelo antigo, ou em uma demanda antiga, mas buscando uma solução inovadora e escalável.

Vamos supor que você queira montar uma padaria, você vai à padaria do bairro entende como ela funciona e monta a sua com a mesma estrutura. Compra as mesmas máquinas, contrata pessoas para as mesmas funções, e entrega o mesmo pãozinho. Neste exemplo você teve um modelo, o copiou, e entregou o mesmo produto. Com certeza empreendeu! Mas não foi uma startup.

Agora vamos supor que você esteja pensando em criar algo novo para atender a mesma demanda por pães, mas não quer copiar o modelo existente, pois acredita que pode agregar mais valor e ter um retorno melhor – ou talvez seja porque você está duro mesmo, uma padaria custa caro, é uma grana que você não tem. Então você arruma uma bateria para ligar aquele forno elétrico da sua casa que não está em uso, e os coloca dentro do seu carro. Testa uma receita de pão que encontrou na internet, quando pesquisava por “massa de pão sem descanso”. E enquanto o pão está assando na traseira do possante, você dirige pelo bairro anunciando a novidade. Os clientes gostam tanto que aceitam pagar três vezes mais pelo pão que está saindo do forno, é entregue na porta de casa, e possui um sabor novo.

Nesse novo processo você precisa testar receitas, carros, fornos e baterias até encontrar um conjunto que te permita entregar o melhor para o seu cliente, enquanto aumenta a eficiência da sua operação para proporcionar escala e espalhar vários carros pela cidade, ou pelo país. Isso é ser uma startup!  🙂

 

Pensei que era só para empresas de tecnologia

Eu também pensei. Como foi mostrado no exemplo anterior, uma padaria pode ser startup.

A tecnologia permite a experimentação com um custo reduzido. Imagine o custo que o Airbnb teria se fosse abrir uma agência em cada cidade onde disponibiliza quartos. Operando na internet você faz mais experimentos, e obtém mais cliente e opiniões com custos menores. Isso acaba atraindo e gerando mais empresas de tecnologia.

O Airbnb é um desses casos que não concorre com empresas de tecnologia, ela está no ramo de hospedagem. Podemos citar outros exemplos como Nubank, Tesla e Uber. Apesar de já ter lido em algum lugar que a Tesla é o inverso, mas não me lembro dos argumentos que foram apresentados.

 

Tem algum apoio do governo?

Bom, essa não é a pergunta que se espera de um empreendedor. Condicionar a abertura do negócio a uma ajuda pode indicar que o negócio não é viável, ainda. Lance um MVP (Produto mínimo viável), teste a aceitação do seu produto ou serviço antes de buscar um investimento, descubra se este é o caminho certo, se alguém paga por ele. Se ninguém pagar, faça uma adaptação e teste novamente. Se ele não paga, pergunte o motivo! Quanto pagaria? Como? Pelo o quê?

Respondendo à pergunta do título, sim tem apoio na forma de incubadora, e investidores (sócios) na forma de aceleradora de startup.

A incubadora pode lhe oferecer uma grana, espaço de coworking, mentoria, contatos e treinamentos. O Seed é uma aceleradora com cara de incubadora, ela está em Minas Gerais, depois eu tento descobrir mais. No site não deixa claro se são investidores, ou seja, se viram sócios do seu empreendimento.

Fechando o assunto, a aceleradora faz investimento e entra como sócia. Pode haver um fundo de investimentos definindo as características que procuram nas startups e as regras do investimento. Também oferece coworking, mentoria, e podem exigir prestação de contas. Afinal, ela não está torrando dinheiro, está investindo e espera ter um retorno desse investimento.

 

Por enquanto é isso, depois posto mais sobre o assunto. Fiquei curioso e vou buscar mais informações.

Sucesso!

Ferramentas de produtividade

Pesquiso sobre produtividade desde o final do ano passado, antes disso era só uma curiosidade. Como resultado dessa pesquisa encontrei muita coisa interessante, apliquei algumas e percebi que nem todas me atendiam. Não que elas não sejam boas, cada uma tem seu valor, só que nem tudo se aplica a todos. Nesta postagem vou compartilhar um pouco da minha experiência, e dar a minha opinião sobre algumas ferramentas.

 

Entendendo a motivação

Primeiramente, quero ressaltar a importância de se questionar para entender o motivo dessa busca:

  • Por que quero ser mais produtivo?
  • Aumentar a produtividade de quê exatamente?
  • O que vou obter sendo mais produtivo?

As respostas dessas perguntas podem ser obscuras, e diferentes para cada pessoa. Por exemplo, você pode estar buscando ter mais tempo livre para passar mais tempo com a família. Outro pode concluir mais rápido suas atividades para aumentar o volume, e com isso aumentar o lucro, ou reduzir o prejuízo de um projeto que está atrasado. Alguém pode querer concluir em menos tempo uma reunião tediosa para se dedicar mais a outra atividade mais prazerosa. Eu quero escrever mais em menos tempo e aumentar o número de postagens desse blog.

Conhecer a sua resposta vai te ajudar a escolher a ferramenta que atenda a sua necessidade. Da mesma forma que identifica aquela que não lhe serve.

 

GTD e atenção plena

Com o GTD (Get Things Done) obtive a possibilidade de esvaziar a mente. O método sugere que toda vez que algo vier a sua mente, e não estiver relacionada a sua atividade atual, anote e guarde. Pronto. Você anotou para não se esquecer, e tirou da sua cabeça a necessidade de ficar pensando no assunto. A partir desse ponto você pode continuar focado na atividade que estava em andamento. Essa dica reforçou meu comportamento de ter vários stick notes e fichas com anotações. O problema é que nem tudo sai da cabeça ao anotar, não é tão simples assim. Alguns pensamentos não saem da cabeça, outras saem, e voltam; são como nuvens.

A atenção plena é um tipo de meditação que foca no agora. Nada de pensar no nirvana ou no Kurt. “Fica aqui comigo!” como disse um amigo quando o interlocutor estava viajando na maionese. A atenção plena pede para se concentrar na respiração, nos pensamentos, sentimentos, e demais sentidos. Sempre te trazendo para o agora. Você não vai impedir seus pensamentos de fluírem, mas você os observará como um terceiro. Juntando esta atenção com as anotações do GTD a coisa fica boa. Vai ficar, ainda estou começando com a atenção plena, e estou otimista porque há estudos comprovando sua eficiência. Se tiver interesse no tema assista ao documentário Free The Mind, está disponível no Netflix.

 

Priorização e descarte

A priorização deve estar em todas as metodologias de ganho de produtividade. Quando você sabe o que quer – ou o que o seu chefe quer – você prioriza, isto é, ordena para concluir primeiro as atividades que mais contribuem para os seus objetivos. Por exemplo, se pretende viajar este ano para Las Vegas, vai pesquisar atrações nesta cidade ou em Paris? Vai estudar inglês ou japonês? Ou vai passar o pouco tempo que possui assistindo besteirol?

Após identificar o objetivo e priorizar as atividades, há uma grande chance de perceber que o final da lista nunca será feito. Descarte. Diga não as drogas, aos vícios, os vídeos de gatinhos, e as atividades que não contribuem com seus objetivos. Mas vá com calma, tudo bem dedicar um tempo ao lazer. O importante é ter lazer na hora do lazer. Se gosta de vídeo de gatinhos ou de futebol na quarta a noite, reserve um tempo para isso. Cortar seus prazeres não te levará a resultados prazerosos.

Se não conhece o princípio de Pareto, dê uma olhada nesta página: O princípio de Pareto.

 

Pomodoro e os intervalos

A técnica Pomodoro sugere a divisão das tarefas em blocos de 25 minutos. Nesse período você deve focar em uma tarefa apenas. Ao concluir a tarefa faça um intervalo de 5 minutos, depois de quatro “pomodoros” faça um intervalo de 30 minutos.

Bom, esses pomodoros não me servem, meu tempo de concentração varia e de uma a duas horas. Contudo, adorei a disciplina dos intervalos! Só depois que conheci o Pomodoro que comecei a vigiar mais os intervalos que faço. Ao final de duas horas de concentração, meu corpo reclama, e a caneca de água já está vazia, e a cabeça já não pensa direito. Levantar, fazer uma caminhada até a água, ir para o lado de fora (em casa) ou para a janela (escritório) e passar uns 5 minutos olhando para a roseira, as nuvens, árvores, ou qualquer coisa que não seja a tela do monitor e que não esteja sob a luz artificial me ajuda a despertar e a me sentir melhor.

 

Kanban

O Kanban foi a melhor coisa que aprendi no curso de Scrum! Sério, o Scrum também é bom, mas o Kanban é foda! Ele materializa o comprometimento, o que é muito importante quando se deseja aumentar a produtividade de uma equipe.

O Kanban pode ser um risco na parede indicando o nível da água, ou o limite crítico de um estoque. Na gestão de tarefas, o Kanban mais simples possui três silos de stick notes: tarefas a fazer, em andamento, e concluídas. A mágica acontece quando se coloca o nome das pessoas nas tarefas, ou sinaliza a responsabilidade dando uma cor para cada. Você olha para o Kanban e sabe quem está atrasado e quem está adiantado, apenas observando a organização das cores.

Também já fiz um Kanban particular para organizar minhas tarefas, dentro de uma folha A3 e até dentro do caderno, não foi muito bom. Funciona para gerenciar as tarefas, mas no meu caso não deu ganho de produtividade.

 

Bullet Journal

A técnica do Bullet Journal diz para utilizar uma caixa nas atividades, e dar um “check” quando concluir, ou riscar se for cancelada. Ainda há bolinhas (bullets) para indicar compromissos, e traços para lembretes. E também tem os ícones, sempre recomendados. Estou usando a caixa por enquanto, se precisar vou usar os outros símbolos.

Este eu conheci faz pouco mais de uma semana, gostei do que vi porque estou utilizando um caderno. No livro “Alta produtividade – Robert Pozen” aprendi a colocar com minha primeira atividade do dia, a criação de uma lista com as atividades que pretendo realizar no dia (o pomodoro também sugere isso). Não é para se desafiar ou tentar um pouco mais a cada dia, o objetivo é dar foco e alinhar atividades com as prioridades. Não sei exatamente se estou mais produtivo, contudo me sinto muito bem ao ver as atividades sendo concluídas.

Ao longo do dia ajudo ao time e cliente respondendo a e-mails, conversando no aplicativo de mensagens instantâneas, e por telefone. Às vezes, após três interrupções seguidas, me perdia e ao invés de retornar à atividade que estava fazendo, continuava algo referente a primeira ou segunda interrupção. Agora que tenho a lista de tarefas do dia, antes de retornar confiro o andamento da lista, e vejo a atividade que estava fazendo ou qual é a próxima, entre aquelas que priorizei no começo do dia.

 

Conclusão

Estou encerrando e ainda não falei para enviar a pauta a reunião ao agendar, ou pelo menos um dia antes. Nem do Visual Note Taking, que não me parece produtivo, mas parece ser ótimo para lembrar de algo. Ambos podem ser tratados em postagem futura e específica para cada.

O que eu gostaria de deixar claro nesta postagem é que cada pessoa tem seu estilo, suas preferências, seu tempo, e que todas essas técnicas devem ser testadas. E também as outras que não estão aqui. Adorar um procedimento só porque alguém empacotou e colocou um nome pomposo está mais para ostentação do que para solução. Quer realmente ser produtivo? Ouça todas as dicas, leia todas as recomendações, e teste o que acredita ser válido. Ao longo do processo você criará algo que é produtivo de um jeito seu, que é ótimo para você! E continuará sendo refinado a cada dia.

Comente e conte o que funciona para você.

Sucesso!

Blockchain e a pirataria

Blockchain é a tecnologia por trás da moeda virtual Bitcoin. Vamos refletir um pouco sobre como ela funciona e o que mais ela pode fazer.

 

Uma breve introdução ao Bitcoin

O Bitcoin é uma moeda virtual que permite a realização de transações de compra e venda de pessoa para pessoa (P2P), sem incluir autoridades financeiras (bancos), e sem a necessidade de identificar as partes (comprador e vendedor). Percebeu? Você pode pagar por um serviço sem abrir uma conta no banco, sem pagar uma taxa ou imposto –  não estou incentivando a mentir na declaração do imposto de renda – sem cadastrar o favorecido, sem confirmar seu endereço ao telemarketing que insiste em enviar um cartão de crédito (ok, essa última foi um desabafo). É uma moeda livre, sem a estrutura das moedas físicas.

Funciona como um título de crédito ao portador, um cheque não nominal e não cruzado. Se você queimar o cheque que recebeu, não vai conseguir trocá-lo por dinheiro ou serviços. O bitcoin também é chamado de cryptocurrency porque é baseado em criptografia, o proprietário da moeda possui uma chave privada, se a perder, queimou dinheiro.

E se eu fizer um CTRL+C e CTRL+V na minha moeda terei duas, certo? Não, há alguns servidores que validam as transações, eles não querem saber quem é você, querem validar se a moeda que está usando é sua, se já tiver sido utilizada eles vão te impedir de reutilizar. Todos os servidores possuem um banco de dados compartilhados, cada transação realizada é conhecida por todos.

Mais informações sobre o Bitcoin podem ser encontradas neste artigo, no site We Use Coins, e no Google.

 

E o Blockchain?

O Blockchain é como um grande livro contábil, público. Todas as transações realizadas são registradas nesse livro. Se você me envia um bitcoin isso fica registrado no livro, se você tenta enviar essa mesma bitcoin para outra pessoa o livro vai indicar que esta moeda não está mais com você. A própria moeda indica seu proprietário.

Mas o bitcoin é só um dos possíveis usos do Blockchain, ele pode ser utilizado como um certificado digital de propriedade. Daí que surgiu a ideia desta postagem, tive altas viagens quando li o artigo New API launch aims to unify Blockchain and game development.

Entenda que certificado de propriedade pode ser de qualquer coisa! Por exemplo: moedas dentro de jogos online, jogos, livros, carros, casas, etc.

Imagina se a Amazon lança uma versão do Kindle com Blockchain! Ou a Microsoft lança um Xbox com Blockchain!

 

Onde a pirataria entra nisso?

Vamos pegar o exemplo da Amazon. A partir do momento em que o Kindle funcionar com Blockchain, o livro que possuo não poderia ser copiado e distribuído livremente pela internet, pois só funcionaria no meu Kindle (proprietário do livro). Da mesma forma, não poderei mais converter um arquivo qualquer no Calibre para “.mobi” e copiar para o Kindle, porque esse arquivo que gerei não está registrado no livro contábil da Amazon. Passaria a existir a garantia que falta hoje para motivar muitos autores, editoras e livrarias a entrar no mercado de ebooks.

Neste cenário, o Kindle poderia até aceitar o arquivo que criei assim como aceita hoje, mas ele não entraria no novo mercado que vejo surgir: venda de ebook usado. Assim como a moeda troca de proprietário, o livro também passaria a ter essa possibilidade. Você poderia ter uma conta conhecida por ser um sebo virtual, você compraria qualquer livro a 20% do valor e venderia qualquer um a 50%.

Essa rede que imaginei para o Kindle poderia ser aberta para qualquer editora entrar e adicionar seus títulos, assim como existem os mineradores de bitcoin que estão sempre “imprimindo” moeda, as editoras poderiam estar sempre publicando seus livros. Isso abriria uma oportunidade tremenda para os livros que não são publicados devido ao custo do livro impresso. O meio virtual seria uma incubadora que permitiria aos autores novatos “testarem” seus livros, para a partir de certo ponto lançarem o livro impresso.

Sabe o que seria ainda mais disruptivo? A possibilidade de fazer edições limitadas de livros virtuais! Aquelas que hoje conhecemos como edição (impressa) do colecionador. O investimento nesse livro poderia ser elevado, ter uns trabalhos adicionais de gravuras, pesquisas, anotações do autor…seria fantástico!

 

Seria o fim da venda de serviços de stream?

Não acredito que essa visão de futuro que apresentei traria o fim para os serviços de stream de áudio (Spotify), vídeo (Netflix), ou qualquer outro. Seria um mercado a mais, você escolhe se quer comprar o direito de assistir ao filme, ou se você quer comprar uma cópia do filme (sem a mídia física).

Já pensou em vender aqueles seus jogos que não usa mais da Xbox Live ou do Steam?

Acha possível este futuro? Tem algo que o impeça de acontecer? Deixe seu comentário, gostaria muito de conhecer outros pontos de vista.

Sucesso!

Aprendendo a conversar

Onde trabalho há uma pessoa que parece ter o controle sobre o temperamento dos outros. Quando ele começar a falar, o irritado se acalma, e no final até pede um abraço! – Tudo bem, exagerei. – É um papo onde as palavras são envolvidas com dopamina, quanto mais avança mais se torna agradável. Já viu isso?

Observei essa cena se repetir algumas vezes, e fiquei muito curioso, queria entender o que estava acontecendo. Parece um dom, uma habilidade divina, mas como esse negócio de dom não existe, fui pesquisar para aprender e aplicar.

Conversas difíceis

Eu ainda não sabia o nome daquilo que estava vendo, se pesquisasse por “comunicação eficiente” o resultado poderia ser uma combinação muito grande de assuntos (oratória, marketing, telemarketing, comunicação visual, etc.). Do meu ponto de vista, havia uma conversa complicada que tentaria evitar, e se eu entrasse acabaria contagiado pelo clima agressivo. Conclui que poderia pesquisar pela expressão “conversas difíceis”, e fui surpreendido pela quantidade de páginas no resultado do Google.

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Acabei comprando um livro com esse nome. Estou gostando muito! Ele ensina a direcionar a conversa, de forma a ficar fácil!

Entre os tópicos abordados no livro está a conversa aberta sobre os sentimentos. Em um nível simplificado, seria substituir “Você me sufoca!” por “Eu me sinto repreendida quando tenho que falar onde estou a cada hora, e sinto que não há confiança, temo pelo relacionamento”. Na primeira frase a reação do ouvinte poderia ser hostil porque ele entenderia como uma agressão pessoal “Você é o problema da relação”, já na segunda o foco não está nele, e sim no relacionamento que o motivo da conversa.

O livro também fala da necessidade de eliminar os adjetivos e concentrar nos fatos, ao invés de dizer “Você não sabe trabalhar, tudo que faz está um lixo!” o foco poderia ser direcionado para os fatos reais que levaram a esta conversa “As apresentações não passaram na revisão ortográfica, e imagem do produto estava distorcida”.

Enquanto ainda estava lendo este livro, anotei num post-it “comunicação não violenta”. Não tenho a menor ideia de onde tirei isso, mas mandei bem!

Comunicação não violenta

capa_comunicacao-nao-violentaFui pesquisar o recado que me deixei e novamente me surpreendi. Encontrei este artigo no Papo de Homem “Comunicação não violenta: o que é e como praticar” publicado em 2013 pelo Frederico Mattos. A comunicação não violenta é exatamente o que deve ser seguido para que a conversa não fique difícil. E também tem muito de Mindfulness, a nova moda.

Prestar atenção nos sentimentos e pensamentos próprios, escuta ativa, expressar os sentimentos e as necessidades. Comprei mais um livro! \o/

Não tenho muito a falar desse porque ainda não chegou. Por enquanto recomendo a leitura do artigo, vale muito a pena!

E o dom?

Já reparei que evito algumas pessoas quando vejo que o relacionamento não será sustentável. Pode não ter acontecido nada de errado entre a pessoal e eu. Se vejo a falta de respeito com um terceiro já evito a pessoa, mesmo que ela só tenha me agradado até então. Até agora não havia refletido sobre isso, mas ao pesquisar estes assuntos vejo que eu poderia ter sido amigo de mais pessoas.

A falta de habilidade para abordar um assunto pode transformá-lo numa conversa difícil, em atrito, em conflito. A partir do momento em que comunico sem agredir, que foco no que realmente é o assunto da conversa, posso abordar qualquer assunto de forma assertiva. E ainda posso vigiar e respeitar os sentimentos, meu e do outro.

Não é fácil. É possível. Não é um dom. Todos podem praticar.

Demanda em alta

Essa semana fui surpreendido pela notícia de que o governo quer digitalizar serviços para reduzir custo operacional. Recebi a notícia no feed do Tecnoblog (entretenimento gratuito nos comentários). Acabei até sabendo do Poupa Tempo que existe no estado de São Paulo.

A minha surpresa foi porque duas semanas antes, ao tentar atualizar o endereço do meu carro no Detran, tive algumas dificuldades, e fiquei pensando no quanto nosso país precisa de investimento em tecnologia. Sério! Tentei ver o lado positivo.

É a jornada que importa, no final

Juntei meus documentos e fui ao Detran da cidade onde moro. Peguei uma senha, aguardei minha vez, e fui atendido. A atendente foi simpática, porém disse que não poderia fazer a atualização porque primeiro, eu devo acessar o site do Detran, preencher o formulário de solicitação, pagar uma taxa, e só então retornar para fazer a vistoria e pegar o documento. Ela abriu o site do Detran, me mostrou onde clicar e as instruções no canto direito da página, realmente simpática, mas não atualizou o endereço comigo ali, na frente dela.

Já em casa, acessando o site descobri que perdi o CRV, e não poderia fazer a atualização sem ele. Dessa vez fui esperto! Preenchi o formulário de solicitação da segunda via do CRV pelo site, paguei a taxa online, e fui novamente ao Detran (em outro dia). No primeiro atendimento fui recomendado a chegar cedo para vistoria pois há um limite de senhas, são dez na parte da manhã e quinze a tarde. Cheguei antes de abrir e fiquei na fila que se formava no lado de fora. Peguei minha senha para vistoria, aguardei uma hora e meia, e fui atendido. Quase isso. O vistoriador disse que não poderia fazer a vistoria porque o carro era de outra cidade – ressalto que ambas no mesmo estado – deveria então me dirigir a outra cidade para fazer a vistoria e obter a segunda via.

Sabe quando você vai ao banco e o atendente pede, 
gentilmente, para você se dirigir à “sua agência”?

Expliquei que eu estava tentando atualizar o endereço, e perguntei se tinha outro processo onde eu poderia fazer as duas coisas, mesmo que na outra cidade, sem a necessidade de realizar duas vistorias na mesma semana. Não tem.

A zica tava boa! Antes de me dirigir a outra cidade tive que trocar o botão do pisca alerta que começou a ligar sozinho, e no caminho uma lâmpada do farol queimou. Por motivos óbvios tive que trocar assim antes de levar o carro ao Detran.

Desta vez estava na cidade grande, Belo Horizonte! Trinta guichês de atendimento! Me senti em uma feira! Inferno!

 

Agora, sobre as melhorias

O Detran, entre outros, possui uma demanda enorme por melhoria, e várias envolvem tecnologia. A minha experiência me fez ver que apesar de ser um órgão estadual, o Detran não está integrado entre as cidades.

  • Ir a outra cidade mesmo sem ter um comprovante de endereço de lá, e nem ser solicitado!
  • Fazer duas vistorias na mesma semana! Por acaso a primeira não é confiável?
  • Estar na frente da atendente e ela não atender. Vai para casa acessar o site!

E as melhorias estão na cara:

  • Processos onde não é necessário conferir o endereço deveriam ser disponibilizados em qualquer cidade;
  • Com a vistoria pronta, tem que ser possível solicitar mais de um serviço;
  • Estar na internet é supimpa, mas também deve ser atendida a pessoa que está na sua frente, olhando nos seus olhos;

Entre outros

Quando prestei serviço a um banco, questionei a várias pessoas de vários níveis o porquê da conta estar vinculada a uma agência, porque o cliente pertence ao banco para alguns serviços, e agência para outros? Algum banco ainda faz conferência de assinatura manualmente? Não tive resposta.

A tecnologia aplicada hoje ajuda muito a reduzir o tempo dos processos, mas o foco precisa expandir, reduzir o tempo através da integração. O governo sabe onde moro, quanto ganho, quanto gasto, quanto tenho de patrimônio, quantos filhos tenho, como está a vacinação de cada um, em qual carro ando, a quanto tempo o tenho, e não para por aí… só que não cruza estas informações para reduzir o custo dos serviços prestados ao cidadão. Pelo menos não parece fazer – exceto no imposto de renda.

Um dia escreverei sobre como a inteligência artificial, ou computação cognitiva, pode ajudar o governo. Até lá!

Inauguração e apresentação

Olá! Esta é a primeira postagem do blog “O Complexo Isolado”.

A pouco mais de um ano, este artigo publicado no site Harvard Business Review (HBR) recomendava a criação de um diário, pois a reflexão diária ajuda a desenvolver a liderança. Lí este artigo depois de ter ouvido alguns episódios do podcast Gente Que Escreve, que também recomendava escrever. Neste último, a recomendação era direcionada a quem deseja escrever livros, para refinar a técnica através da prática. Ambos me convenceram a manter um diário em 2016.

O começo foi meio quadrado, eu não sabia o que escrever, nem a que nível de detalhes chegar. Mesmo adotando uma lista de perguntas para direcionar o conteúdo, me sentia travado antes de começar o registro de um período. Ainda hoje recorro a lista de perguntas, não a vejo como um problema, e sim como uma checklist. Outra dificuldade que tive foi a frequência – percebeu que usei a palavra “período” alí atrás? – não tive 365 registros, sei que foram menos de 100 porque numerei as páginas, e no final do ano estava na página 105. Tento escrever uma página (um lado) toda vez que inicio um registro.

No final do ano colhi resultado positivo deste exercício. Hoje escrevo com mais fluidez e em menos tempo. Estou gostando tanto de escrever que resolvi começar este blog. Supondo que eu escreva todos os dias úteis no diário, na sexta-feira terei cinco registros de referência para gerar uma postagem aqui no blog. Não que eu só postarei sobre o que tiver registro prévio no diário! Isso é sem dúvida um facilitador, para manter a frequência caso eu tenha dificuldade, mas não uma regra.

Pretendo fazer postagens sobre tecnologia, pois é minha área de atuação. Contudo, o comportamento humano pesa muito mais na tecnologia do que parece, este tema estará sempre presente.

O Complexo Isolado

Este nome é uma referência ao anime “Ghost in the shell: stand alone complex”. Talvez a tradução ficasse melhor como “complexo solitário”, pois é a situação dos personagens que apresentam tal transtorno, mas pega mal ter um blog que leva a palavra “solitário” no nome.