Aprendendo a conversar

Onde trabalho há uma pessoa que parece ter o controle sobre o temperamento dos outros. Quando ele começar a falar, o irritado se acalma, e no final até pede um abraço! – Tudo bem, exagerei. – É um papo onde as palavras são envolvidas com dopamina, quanto mais avança mais se torna agradável. Já viu isso?

Observei essa cena se repetir algumas vezes, e fiquei muito curioso, queria entender o que estava acontecendo. Parece um dom, uma habilidade divina, mas como esse negócio de dom não existe, fui pesquisar para aprender e aplicar.

Conversas difíceis

Eu ainda não sabia o nome daquilo que estava vendo, se pesquisasse por “comunicação eficiente” o resultado poderia ser uma combinação muito grande de assuntos (oratória, marketing, telemarketing, comunicação visual, etc.). Do meu ponto de vista, havia uma conversa complicada que tentaria evitar, e se eu entrasse acabaria contagiado pelo clima agressivo. Conclui que poderia pesquisar pela expressão “conversas difíceis”, e fui surpreendido pela quantidade de páginas no resultado do Google.

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Acabei comprando um livro com esse nome. Estou gostando muito! Ele ensina a direcionar a conversa, de forma a ficar fácil!

Entre os tópicos abordados no livro está a conversa aberta sobre os sentimentos. Em um nível simplificado, seria substituir “Você me sufoca!” por “Eu me sinto repreendida quando tenho que falar onde estou a cada hora, e sinto que não há confiança, temo pelo relacionamento”. Na primeira frase a reação do ouvinte poderia ser hostil porque ele entenderia como uma agressão pessoal “Você é o problema da relação”, já na segunda o foco não está nele, e sim no relacionamento que o motivo da conversa.

O livro também fala da necessidade de eliminar os adjetivos e concentrar nos fatos, ao invés de dizer “Você não sabe trabalhar, tudo que faz está um lixo!” o foco poderia ser direcionado para os fatos reais que levaram a esta conversa “As apresentações não passaram na revisão ortográfica, e imagem do produto estava distorcida”.

Enquanto ainda estava lendo este livro, anotei num post-it “comunicação não violenta”. Não tenho a menor ideia de onde tirei isso, mas mandei bem!

Comunicação não violenta

capa_comunicacao-nao-violentaFui pesquisar o recado que me deixei e novamente me surpreendi. Encontrei este artigo no Papo de Homem “Comunicação não violenta: o que é e como praticar” publicado em 2013 pelo Frederico Mattos. A comunicação não violenta é exatamente o que deve ser seguido para que a conversa não fique difícil. E também tem muito de Mindfulness, a nova moda.

Prestar atenção nos sentimentos e pensamentos próprios, escuta ativa, expressar os sentimentos e as necessidades. Comprei mais um livro! \o/

Não tenho muito a falar desse porque ainda não chegou. Por enquanto recomendo a leitura do artigo, vale muito a pena!

E o dom?

Já reparei que evito algumas pessoas quando vejo que o relacionamento não será sustentável. Pode não ter acontecido nada de errado entre a pessoal e eu. Se vejo a falta de respeito com um terceiro já evito a pessoa, mesmo que ela só tenha me agradado até então. Até agora não havia refletido sobre isso, mas ao pesquisar estes assuntos vejo que eu poderia ter sido amigo de mais pessoas.

A falta de habilidade para abordar um assunto pode transformá-lo numa conversa difícil, em atrito, em conflito. A partir do momento em que comunico sem agredir, que foco no que realmente é o assunto da conversa, posso abordar qualquer assunto de forma assertiva. E ainda posso vigiar e respeitar os sentimentos, meu e do outro.

Não é fácil. É possível. Não é um dom. Todos podem praticar.

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