Blockchain e a pirataria

Blockchain é a tecnologia por trás da moeda virtual Bitcoin. Vamos refletir um pouco sobre como ela funciona e o que mais ela pode fazer.

 

Uma breve introdução ao Bitcoin

O Bitcoin é uma moeda virtual que permite a realização de transações de compra e venda de pessoa para pessoa (P2P), sem incluir autoridades financeiras (bancos), e sem a necessidade de identificar as partes (comprador e vendedor). Percebeu? Você pode pagar por um serviço sem abrir uma conta no banco, sem pagar uma taxa ou imposto –  não estou incentivando a mentir na declaração do imposto de renda – sem cadastrar o favorecido, sem confirmar seu endereço ao telemarketing que insiste em enviar um cartão de crédito (ok, essa última foi um desabafo). É uma moeda livre, sem a estrutura das moedas físicas.

Funciona como um título de crédito ao portador, um cheque não nominal e não cruzado. Se você queimar o cheque que recebeu, não vai conseguir trocá-lo por dinheiro ou serviços. O bitcoin também é chamado de cryptocurrency porque é baseado em criptografia, o proprietário da moeda possui uma chave privada, se a perder, queimou dinheiro.

E se eu fizer um CTRL+C e CTRL+V na minha moeda terei duas, certo? Não, há alguns servidores que validam as transações, eles não querem saber quem é você, querem validar se a moeda que está usando é sua, se já tiver sido utilizada eles vão te impedir de reutilizar. Todos os servidores possuem um banco de dados compartilhados, cada transação realizada é conhecida por todos.

Mais informações sobre o Bitcoin podem ser encontradas neste artigo, no site We Use Coins, e no Google.

 

E o Blockchain?

O Blockchain é como um grande livro contábil, público. Todas as transações realizadas são registradas nesse livro. Se você me envia um bitcoin isso fica registrado no livro, se você tenta enviar essa mesma bitcoin para outra pessoa o livro vai indicar que esta moeda não está mais com você. A própria moeda indica seu proprietário.

Mas o bitcoin é só um dos possíveis usos do Blockchain, ele pode ser utilizado como um certificado digital de propriedade. Daí que surgiu a ideia desta postagem, tive altas viagens quando li o artigo New API launch aims to unify Blockchain and game development.

Entenda que certificado de propriedade pode ser de qualquer coisa! Por exemplo: moedas dentro de jogos online, jogos, livros, carros, casas, etc.

Imagina se a Amazon lança uma versão do Kindle com Blockchain! Ou a Microsoft lança um Xbox com Blockchain!

 

Onde a pirataria entra nisso?

Vamos pegar o exemplo da Amazon. A partir do momento em que o Kindle funcionar com Blockchain, o livro que possuo não poderia ser copiado e distribuído livremente pela internet, pois só funcionaria no meu Kindle (proprietário do livro). Da mesma forma, não poderei mais converter um arquivo qualquer no Calibre para “.mobi” e copiar para o Kindle, porque esse arquivo que gerei não está registrado no livro contábil da Amazon. Passaria a existir a garantia que falta hoje para motivar muitos autores, editoras e livrarias a entrar no mercado de ebooks.

Neste cenário, o Kindle poderia até aceitar o arquivo que criei assim como aceita hoje, mas ele não entraria no novo mercado que vejo surgir: venda de ebook usado. Assim como a moeda troca de proprietário, o livro também passaria a ter essa possibilidade. Você poderia ter uma conta conhecida por ser um sebo virtual, você compraria qualquer livro a 20% do valor e venderia qualquer um a 50%.

Essa rede que imaginei para o Kindle poderia ser aberta para qualquer editora entrar e adicionar seus títulos, assim como existem os mineradores de bitcoin que estão sempre “imprimindo” moeda, as editoras poderiam estar sempre publicando seus livros. Isso abriria uma oportunidade tremenda para os livros que não são publicados devido ao custo do livro impresso. O meio virtual seria uma incubadora que permitiria aos autores novatos “testarem” seus livros, para a partir de certo ponto lançarem o livro impresso.

Sabe o que seria ainda mais disruptivo? A possibilidade de fazer edições limitadas de livros virtuais! Aquelas que hoje conhecemos como edição (impressa) do colecionador. O investimento nesse livro poderia ser elevado, ter uns trabalhos adicionais de gravuras, pesquisas, anotações do autor…seria fantástico!

 

Seria o fim da venda de serviços de stream?

Não acredito que essa visão de futuro que apresentei traria o fim para os serviços de stream de áudio (Spotify), vídeo (Netflix), ou qualquer outro. Seria um mercado a mais, você escolhe se quer comprar o direito de assistir ao filme, ou se você quer comprar uma cópia do filme (sem a mídia física).

Já pensou em vender aqueles seus jogos que não usa mais da Xbox Live ou do Steam?

Acha possível este futuro? Tem algo que o impeça de acontecer? Deixe seu comentário, gostaria muito de conhecer outros pontos de vista.

Sucesso!

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